O Brasil, reconhecido mundialmente como uma das maiores potências do MMA, celebra uma rica história de campeões no UFC. O país já viu atletas se consagrarem em dez das doze categorias existentes ou que já existiram na principal organização de artes marciais mistas do mundo.

Contudo, uma lacuna histórica persiste no cenário feminino: a categoria peso-mosca (até 57 kg) nunca foi dominada por uma lutadora brasileira. Essa realidade pode mudar neste sábado, 3 de agosto, com a ascensão da mineira Natália Silva.

A atleta terá a oportunidade de reescrever a história no UFC 332, em Salt Lake City, EUA, buscando o cinturão vago da categoria. A informação foi divulgada pela equipe de reportagem da Ag Fight.

Um Início Desafiador e a Virada na Carreira

A jornada de Natália Silva no MMA não começou de forma fácil. Em seus primeiros anos, ainda jovem e inexperiente, a lutadora enfrentou um período turbulento, acumulando quatro derrotas, um empate e apenas três vitórias em pouco mais de um ano e meio na modalidade.

O cenário começou a mudar significativamente em 2017, quando Natália se juntou ao ‘Team Borracha’, liderado pelo compatriota Paulo ‘Borrachinha’. Foi nesse ambiente que a atleta, oriunda do taekwondo, aprimorou suas habilidades e viu sua carreira deslanchar.

“Não foi fácil estar aqui, foi muita superação. Eu sou uma garota improvável que está vivendo um sonho hoje. Se tinha alguém para não conseguir estar aqui, essa pessoa era eu. Quando comecei, eu perdi muitas lutas no início. Se você vir de onde eu vim e o que passei, realmente eu era uma menina improvável de dar certo”, desabafou Natália à Ag Fight, evidenciando sua resiliência.

Ascensão Irretocável no UFC: O Caminho para o Cinturão

Uma vez no UFC, Natália Silva consolidou sua trajetória de sucesso, mantendo-se invicta no MMA profissional desde sua estreia na organização. Desde junho de 2022, a striker brasileira acumulou uma impressionante sequência de oito vitórias consecutivas, a maior série ativa na categoria peso-mosca.

Os últimos três triunfos foram particularmente notáveis, conquistados contra ex-campeãs da companhia: Jéssica ‘Bate-Estaca’, Alexa Grasso e Rose Namajunas. Esses resultados catapultaram Natália para a posição de número 1 dos rankings da divisão peso-mosca de forma incontestável, pavimentando seu caminho para a disputa do cinturão.

No UFC 332, Natália Silva medirá forças contra a chinesa Wang Cong. O duelo valerá o cinturão vago, posto abdicado pela agora ex-campeã Valentina Shevchenko, que está lesionada e sem previsão de retorno.

O Tabu do Peso-Mosca e a Missão de Natália Silva

Natália Silva será a quarta atleta brasileira a disputar o cinturão do peso-mosca na história do UFC. Anteriormente, Jennifer Maia, Jéssica Bate-Estaca e Taila Santos desafiaram Valentina Shevchenko, mas foram derrotadas.

Ciente dessa sina, a mineira expressa a importância de sua missão. “Significa fazer história. É o que eu sempre busco dentro da organização, não ser só mais uma lutadora. Quero fazer história, quero que, quando eu parar de lutar, meu nome ainda seja lembrado. Que a minha história fique, quero deixar um legado. Isso (conquistar o cinturão) faz parte disso. Ser a primeira (brasileira campeã da categoria) é o início de uma história”, projetou a striker à Ag Fight.

Se vitoriosa, Natália se juntará a um seleto grupo de brasileiras que já foram campeãs em outras divisões, como peso-palha (52 kg), peso-galo (61 kg) e até a extinta divisão peso-pena (66 kg), tornando-se pioneira no peso-mosca e conquistando o título inédito para o Brasil no MMA feminino.

O Brasil Rumo a ‘Zerar’ as Categorias do UFC

Caso Natália Silva confirme o favoritismo contra Wang Cong e se sagre campeã peso-mosca, restará apenas um título a ser conquistado pelo Brasil no Ultimate: o da divisão meio-médio (77 kg) masculina.

Curiosamente, um representante tupiniquim está próximo de competir por este cinturão: Carlos Prates. Consolidado como uma das grandes estrelas da nova geração, Prates é apontado como um forte candidato a próximo desafiante do reinado de Islam Makhachev, atual campeão até 77 kg e número 1 peso-por-peso do ranking.

Se essa disputa for oficializada, a tarefa de Prates será desafiadora. No entanto, a recompensa seria histórica, com o Brasil potencialmente ‘zerando’ todas as categorias possíveis do Ultimate, um feito sem precedentes na história do esporte.


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