O programa de testes antidoping da USADA no UFC, ativo de 2015 a 2023, era conhecido por sua rigidez. Com testes aleatórios e a exigência de localização constante, a agência gerou momentos de grande tensão para os atletas.

Para muitos lutadores, essa vigilância resultou em situações inusitadas e, por vezes, verdadeiros pesadelos. Ela revelou o lado desafiador da vida de um atleta profissional sob constante escrutínio.

Recentemente, os ex-astros do UFC Chris Weidman, Jorge Masvidal e Dustin Poirier, em seu podcast Deep Waters, compartilharam esses relatos. Eles detalharam experiências que beiraram o absurdo com os fiscais da USADA, conforme informações divulgadas pelo próprio podcast e repercutidas pelo MMA Fighting.

Os Testes Inesperados de Chris Weidman e a Regra do “Onde Você Está?”

Chris Weidman, ex-campeão peso-médio do UFC, relembrou um dia em que estava jogando golfe. Os fiscais da USADA apareceram no campo e o esperaram na virada para a segunda parte do percurso.

“Eu estava jogando golfe uma vez e eles tiveram que vir para o campo de golfe e me esperaram na virada”, disse Weidman. Ele precisou fazer coleta de urina e sangue com seus amigos esperando, pois “uma vez que eles te veem, você não pode sair da vista deles”.

Ele explicou a regra de contato: “Eles têm que te ver dentro de uma hora depois de ligarem para você. Uma vez que eles entram em contato, você tem tipo uma hora, talvez uma hora e meia”.

Weidman também compartilhou um incidente em que recebeu uma advertência da USADA. Ele havia viajado para sua casa na montanha, a duas horas de distância, e esqueceu de atualizar o aplicativo da agência com sua nova localização.

Recebeu uma ligação informando que os fiscais estavam em sua casa principal. Tentou voltar correndo, mas o trânsito o atrasou. “O cara foi embora e isso foi uma advertência porque eu não fui testado dentro do período de duas horas”, desabafou Weidman.

O Segredo de Weidman e o Pesadelo Pré-Luta no UFC 205

Outro momento de grande tensão para Weidman ocorreu antes de sua luta contra Yoel Romero no UFC 205, o primeiro evento do UFC em Nova York. Ele estava sendo testado “um milhão de vezes” devido a preocupações com Romero.

Três semanas e meia antes da luta, Weidman sofreu uma lesão no joelho e precisou de cirurgia. Ele decidiu manter a cirurgia em segredo do UFC, pois não queria perder a chance de lutar no histórico evento em sua cidade natal.

“Fiz a cirurgia, mas não contei ao UFC, porque se o UFC descobrisse… E este é o primeiro evento em Nova York, eu pensei, eu vou lutar, não me importo”, revelou o lutador.

Após a cirurgia, Weidman recebeu soro intravenoso, o que é proibido pelas regras de testes antidoping. Ele voltou para casa com analgésicos e o curativo da injeção no braço.

De repente, a campainha tocou: era a USADA. “Então eu estava fingindo que não tinha acabado de fazer uma cirurgia. Tive que desfazer toda a parafernália da minha perna. Foi um p*to pesadelo e eu estava tão paranoico que ia ter problemas, mas no final deu tudo certo”, recordou ele.

Jorge Masvidal e a Saga da Coleta de Urina Pós-Treino

Jorge Masvidal, conhecido por seu estilo “Gamebred”, também tem uma história divertida, mas igualmente frustrante, sobre os testes antidoping da USADA.

Após uma sessão intensa de treino e sauna, Masvidal havia perdido “oito ou nove quilos”. Os fiscais da USADA apareceram 15 a 20 minutos depois que ele terminou.

“Vocês vão ter que ficar comigo o dia todo, porque vou dizer agora, perdi oito ou nove quilos nesta sessão de treino, não vou urinar por um tempo, então vocês vão ter que relaxar comigo”, avisou Masvidal aos agentes.

Os fiscais tiveram que segui-lo do centro de treinamento até Miami, acompanhando-o enquanto ele comia e bebia, esperando pacientemente pela coleta.

Masvidal brincou: “Você não pode apressar isso, irmão. Só quando acontecer. Você tem que me pegar antes do treino, não venha nunca depois do treino”. A situação ilustra a imprevisibilidade dos testes antidoping.

Dustin Poirier, Testes em Locais Inusitados e a Fúria Matinal

Dustin Poirier, outro grande nome do UFC, também teve sua cota de experiências bizarras com os testes antidoping da USADA.

Ele estava comprando uma caminhonete em uma concessionária, sentado e assinando papéis, quando recebeu a ligação da USADA. Sem tempo de chegar em casa em uma hora, os agentes o encontraram no local.

“Eles me encontraram na concessionária. Urina e sangue, na concessionária”, contou Poirier, descrevendo a situação inusitada.

Além dos locais incomuns, a hora dos testes também era um problema. Poirier relembrou: “Uma vez eles vieram, bateram na minha porta, eram tipo 6 da manhã de domingo de Super Bowl. Eu estava com raiva.”

Masvidal ecoou o sentimento de Poirier sobre as visitas matinais. “6 da manhã de um domingo, eles fizeram isso comigo, tipo, duas vezes”, disse ele, acrescentando com humor e exasperação: “Eu queria matá-los”.

Essas histórias destacam a natureza invasiva e muitas vezes inconveniente dos testes antidoping, mas também a dedicação dos atletas em cumprir as regras rigorosas do esporte.


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